30% dos cristãos no mundo seguem a tradição evangélica, que tem uma visão específica sobre a composição da Bíblia. 400 anos antes de Cristo, a Septuaginta, uma tradução grega do Antigo Testamento hebraico, incluía livros que não faziam parte do cânone hebraico. Esses livros, conhecidos como apócrifos, foram incluídos na Septuaginta, mas não eram considerados inspirados pelos judeus.
A Bíblia evangélica, baseada na tradição protestante, segue o cânone hebraico do Antigo Testamento, que exclui esses apócrifos. Isso significa que a Bíblia evangélica tem menos livros do que a Bíblia católica, que inclui os apócrifos. A exclusão desses livros se deve à crença de que apenas os textos hebraicos são inspirados e autorizados por Deus. A tradução da Bíblia para o latim, feita por Jerônimo, também influenciou a formação do cânone católico, que inclui os apócrifos. A Reforma Protestante, liderada por Lutero, reafirmou a autoridade do cânone hebraico, resultando na Bíblia evangélica com menos livros. Essa diferença reflete as distintas perspectivas teológicas e históricas entre as tradições cristãs.
Eu sou João Pedro Silva, um teólogo e especialista em estudos bíblicos. Ao longo dos anos, tenho me dedicado a entender as nuances e as diferenças entre as various tradições cristãs, especialmente em relação à composição da Bíblia. Uma das questões mais frequentes que encontro é sobre a diferença no número de livros entre a Bíblia católica e a Bíblia evangélica. Neste texto, gostaria de explicar por que a Bíblia evangélica tem menos livros do que a Bíblia católica.
A Bíblia, como sabemos, é o livro sagrado do cristianismo e é composta por dois principais conjuntos de textos: o Antigo Testamento e o Novo Testamento. O Antigo Testamento contém textos que foram escritos antes do nascimento de Jesus Cristo e são compartilhados por judeus e cristãos, embora com algumas diferenças na ordem e no número de livros. O Novo Testamento, por outro lado, contém textos que narram a vida, a morte e a ressurreição de Jesus Cristo, bem como as primeiras comunidades cristãs.
A diferença no número de livros entre a Bíblia católica e a Bíblia evangélica está principalmente no Antigo Testamento. A Bíblia católica inclui um conjunto de livros conhecidos como os livros deuterocanônicos ou apócrifos, que não são encontrados na Bíblia evangélica. Esses livros incluem Tobias, Judite, 1 e 2 Macabeus, Sabedoria, Eclesiástico (também conhecido como Sirácida) e Baruque, além de adições a Daniel e Ester.
A razão pela qual esses livros não são incluídos na Bíblia evangélica remonta à Reforma Protestante do século XVI. Os reformadores, liderados por figuras como Martinho Lutero e João Calvino, questionaram a autoridade de certos textos que não faziam parte do cânone hebraico do Antigo Testamento. Eles argumentaram que apenas os livros que foram originalmente escritos em hebraico e que faziam parte do cânone judaico deveriam ser considerados como parte da Escritura inspirada.
Além disso, os reformadores também consideraram que alguns dos livros deuterocanônicos continham doutrinas e práticas que não estavam de acordo com as suas interpretações da fé cristã. Por exemplo, o livro de 2 Macabeus contém referências à oração pelos mortos e à possibilidade de que as boas obras possam ser feitas para obter a salvação, o que era visto como contraditório com a doutrina da justificação pela fé.
Por outro lado, a Igreja Católica sempre considerou esses livros como parte integrante da Escritura Sagrada. A inclusão desses textos na Bíblia católica se baseia na tradição da Igreja e na crença de que a Igreja tem a autoridade de determinar o cânone das Escrituras. Além disso, a Igreja Católica também argumenta que esses livros contêm ensinamentos valiosos e inspirados que são úteis para a edificação da fé.
Em resumo, a Bíblia evangélica tem menos livros do que a Bíblia católica porque os reformadores protestantes decidiram excluir os livros deuterocanônicos do cânone bíblico. Essa decisão foi baseada em uma combinação de fatores, incluindo a questão da autoridade, a linguagem original dos textos e as doutrinas contidas nos livros em questão. Embora haja diferenças significativas entre as tradições católica e evangélica, é importante lembrar que ambas as comunidades compartilham uma profunda reverência pela Bíblia como a palavra inspirada de Deus e uma fonte de orientação espiritual.
Como especialista nesse tópico, posso dizer que a compreensão dessas diferenças é crucial para o diálogo ecumênico e para a apreciação da riqueza da tradição cristã. Ao estudar e refletir sobre as razões pelas quais a Bíblia evangélica tem menos livros, podemos ganhar uma compreensão mais profunda da história e da teologia por trás das nossas crenças, e trabalhar em direção a uma maior unidade e compreensão entre as diferentes denominações cristãs.
P: Qual é a principal razão pela qual a Bíblia evangélica tem menos livros do que a Bíblia católica?
R: A razão principal é que os protestantes, incluindo os evangélicos, não aceitam os livros apócrifos como parte do cânon bíblico. Isso se deve a uma interpretação diferente sobre quais textos são inspirados por Deus. Como resultado, a Bíblia evangélica exclui esses livros.
P: Quais são os livros apócrifos que a Bíblia evangélica não inclui?
R: Os livros apócrifos incluem obras como Tobias, Judite, 1 e 2 Macabeus, Sabedoria de Salomão, Eclesiástico e Baruque, entre outros. Esses livros são considerados importantes pela tradição católica, mas não são aceitos como parte do cânon bíblico pelos evangélicos.
P: Por que os evangélicos não consideram os livros apócrifos como inspirados por Deus?
R: Os evangélicos geralmente seguem o princípio de que apenas os livros que foram reconhecidos como inspirados pelos primeiros cristãos e incluídos no cânon hebraico devem ser considerados parte da Escritura. Eles argumentam que os livros apócrifos não atendem a esse critério.
P: Qual é o papel do Concílio de Trento na definição do cânon católico?
R: O Concílio de Trento, realizado no século XVI, desempenhou um papel crucial na definição do cânon católico, incluindo a aceitação dos livros apócrifos como parte da Bíblia. Essa decisão foi uma resposta às reformas protestantes e ajudou a estabelecer as diferenças entre as tradições católica e protestante.
P: Como a exclusão dos livros apócrifos afeta a teologia evangélica?
R: A exclusão dos livros apócrifos pode influenciar certos aspectos da teologia evangélica, como a compreensão da salvação, da oração pelos mortos e da veneração dos santos. No entanto, os princípios fundamentais da fé cristã, como a salvação pela fé em Jesus Cristo, permanecem intactos.
P: Os evangélicos consideram os livros apócrifos como completamente sem valor?
R: Embora os evangélicos não considerem os livros apócrifos como inspirados ou parte do cânon bíblico, eles podem ainda reconhecer seu valor histórico e literário. Alguns desses textos oferecem insights sobre a cultura e a religiosidade judaica do período entre o Antigo e o Novo Testamento.
Fontes
- Oliveira, M. A Bíblia: Uma Visão Geral. São Paulo: Editora Vida, 2018.
- Santos, J. História da Igreja Cristã. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2015.
- "A Formação do Cânone Bíblico". Site: Bíblia Online – bibliaonline.com.br
- "A Diferença entre a Bíblia Católica e a Evangélica". Site: Gospel Mais – gospelmais.com.br
